Clássicos quentes


Nesse domingo, não só o Brasil, como também a Itália, foram palco de clássicos tradicionais e de extrema rivalidade. Uma característica essencial desses jogos é a grande temperatura que é atingida dentro do campo, fazendo com que, muitas vezes, a arbitragem se destaque, tanto para o lado bom, quanto para o lado ruim. Presenciamos Cruzeiro x Atlético Mineiro, Botafogo x Flamengo, São Paulo x Corinthians e, por último, na Itália, Inter de Milão x Milan. Na disputa carioca, os times não dividiram a atenção do jogo com o trio de árbitros; mas, no clássico paulista, no mineiro e no milano, os profissionais do apito e da bandeira tiveram trabalho. O mineiro será comentado em outro post.
Comecemos pelo paulista. O trio escalado para o jogo é extremamente experiente, comandado pelo árbitro José Henrique de Carvalho, que reencontrou a boa arbitragem e está em uma ótima fase, desempenhando atuações cheias de personalidade e critério, sendo, na minha opinião, um dos mais fortes candidatos a ser premiado no final do campeonato. Além disso, ele conta com a presença de Ednilson Corona, assistente FIFA de maior experiência internacional do Brasil nos dias atuais, tendo atuado na Copa da Alemanha de 2006, juntamente com o assistente 2, Anderson de Moraes Coelho, que também vem realizando ótimo trabalho. Enfim, nas mãos de profissionais como estes, o jogo não teria com o que se preocupar, e foi exatamente isso que aconteceu.
O começo do jogo foi quente: faltas e mais faltas, cada vez mais severas. Este talvez tenha sido o único deslize potencialmente grave do árbitro, já que se recusava a colocar a mão no bolso e mostrar cartões amarelos às faltas que pioravam a cada lance. Até que, aos 38 minutos do primeiro tempo, Túlio, do Corinthians, escorregou dentro da área tricolor. O zagueiro são paulino André Dias, que estava do lado do corinthiano, disse algumas palavras que não deveriam ter sido ditas. Após ouvir aquilo, Túlio reagiu com um soco na barriga do zagueiro, que imediatamente caiu ao chão. O árbitro não viu o lance, pois a bola estava além do meio de campo, num contra-ataque tricolor. Contudo, para evitar tal contra-ataque, um jogador corinthiano cometeu falta no são paulino que carregava a bola, fazendo com que o juiz parasse o lance e aplicasse o cartão amarelo. Foi quando, nesse momento, o assistente Ednilson Corona, que havia visto a agressão proferida por Túlio, comunicou o árbitro pelo sistema de microfones o acontecido. Após uma pequena conversa com Corona, o árbitro se dirigiu a Túlio e o expulsou, corretamente. Um pequeno erro nesse lance foi que André Dias deveria ter sido advertido com cartão amarelo, por ter provocado o adversário. Contudo, o bandeira não tinha visão privilegiada para ver tal ato, visão suficiente apenas para observar a agressão. Mano Menezes, em entrevista coletiva após o jogo, alegou que uma informação externa havia chegado ao assistente Corona, sendo que ele não havia visto o lance, mas tinha sido comunicado por alguém não presente no gramado. Ora, Senhor Menezes, se fosse isso que o Senhor diz, por que então Corona só foi avisado da agressão de Túlio, mas não também da provocação de André Dias? O fato de o assistente não ter levantado a bandeira, por mais contra à regra que isso seja, não significou nada, pois ele assegurou que a justiça fosse feita e o jogador fosse expulso. Não venha dizer que não levantar a bandeira é contra a FIFA, Senhor Menezes, pois isso é apenas um detalhe, já que o profissional agiu de forma correta. O cartão amarelo deveria ter sido aplicado em André Dias? Sim, mas isso não afetaria o resultado nem qualquer outra característica do jogo. Além disso, Corona só tinha a possibilidade de ver a agressão e não a provocação, e o fez, assim como assegurou a justiça do jogo. As outras duas expulsões também foram justas. Wagner Diniz, do São Paulo, mereceu o segundo amarelo pela falta que cometeu e, consequentemente, foi expulso; assim como André Santos, que claramente não vai na bola, mas acerta com muita força as pernas do jogador do São Paulo, fato que pode muito bem ser visto na imagem do jogo. Mano Menezes diz que André Santos foi na bola; talvez uma olhada melhor no lance mude a opinião dele. Além das expulsões, um outro lance polêmico ocorreu quando Jean, do São Paulo, caiu na área corinthiana. Na minha opinião, houve pênalti, já que o corinthiano não toca a bola, que é tocada pelo jogador são paulino, antes de ser derrubado. Carvalho e Corona enxergaram desvio do jogador alvi-negro e deram escanteio, mas a marcação correta seria pênalti.
Enfim, o jogo foi bastante emocionante e o árbitro, depois de ter evitado bastante o cartão amarelo, percebeu que precisava agir mais e corretamente começou a destribuir amarelos, corrigindo suas ações anteriores. Muito boa arbitragem e os técnicos, principalmente Mano Menezes, não tem do que reclamar.
Para terminar, falemos do clássico italiano. Ninguém mais e ninguém menos que Roberto Rosetti apitou o jogo. O melhor árbitro italiano na atualidade foi enganado por Adriano, assim como Paulo César de Oliveira e Maria Eliza Barbosa foram enganados pelo mesmo jogador no Paulistão de 2008, quando o atacante fez um gol de mão na partida São Paulo x Palmeiras pelas semifinais, no Morumbi, garantindo a vitória tricolor por 1x0. Em Milão, a diferença com o jogo paulista foi no placar: o gol irregular, não visto por Rosetti nem pelo assistente, garantiu a vitória do Internazionale por 2x1 contra o Milan.
Clássicos dão o que falar tanto antes quanto depois de suas realizações. Eles podem ter toda atenção por vários motivos, como por serem muito disputados, pelo número de gols, por jogadores e, de vez em quando, pela arbitragem. O que se espera é que os árbitros não estraguem o espetáculo, mas nem sempre os torcedores podem gritar a vitória justa e honestamente.

2 comentários:

Unknown disse...

Eu JURO que nao li inteiro, mas o blog de voces ta ROOOOX \m/

Anônimo disse...

Warm greeting from vintage lover!