Cartão vermelho para o cartão laranja

Depois de muitas discussões e de muito analisar, a International Football Association Board (IFAB), entidade que toma conta das regras do futebol, vetou hoje a adoção do cartão amarelo para ser aplicado pelos árbitros. Além disso, a entidade também vetou outras medidas que estavam em estudo, como também aprovou outras.
Para falar a verdade, temos que agradecer muito que esse novo cartão tenha sido proibido. Árbitros sempre foram motivo de polêmicas e muitas vezes ganham a culpa por uma má atuação de um time. Se os problemas já existem com a utilização de dois cartões, amarelo e vermelho, imagine o que esse terceiro cartão provocaria. O saudoso e experiente árbitro Pierluigi Collina me impressionou ao ser um dos adeptos do cartão, alegando que este seria usado em situações em que o cartão amarelo seja suave demais e o vermelho seja duro demais, cabendo ao laranja fazer a média entre os dois. Contudo, situações como estas são bem raras e o cartão novo acabaria muito mais por deixar o árbitro em dúvida do que fazer a média. Para quem não sabe, sua função seria expulsar o jogador por alguns minutos e isso poderia gerar mais um problema: teria que se cronometrar o tempo para o jogador que levou o laranja, o que acarretaria mais pessoal para realizar essa função, já que em hipótese alguma pdoeria ser o árbitro o responsável pela cronometragem pois ele deve se focar no jogo e não ficar contando os minutos para o jogador voltar, e também deixaria o árbitro muito preocupado com a situação fora do campo, onde se encontra o jogador advertido com laranja. Além de tudo isso, hoje em dia ouvimos as famosas frases "Essa falta não era para amarelo, era para vermelho" ou vice-versa. Se o "nosso amiguinho" fosse mesmo adotado, mais frases como essa surgiriam e mais preocupações rodeariam a pessoa do árbitro. Ainda bem que o comitê da FIFA presente na IFAB, composto por 4 representantes, não deixou a proposta seguir adiante, já que qualquer medida precisa ser aprovada pelos 4 antes de seguir para a votação das federações da Escócia, da Irlanda, da Inglaterra e do País de Gales, onde a medida precisa de pelo menos 2 votos para ser aprovada.
Outras medidas que também foram analisadas merecem destaque. Houve a liberação para as federações para se utilizar mais 2 árbitros assistentes, que se posicionariam um atrás de cada gol, monitorando o que acontece nos arredores da linha de fundo, para auxiliar em dúvidas como se a bola ultrapassou totalmente a linha do gol e a linha de fundo, se houve pênalti, entre outras, totalizando, assim, 4 assistentes. No jogo Flamengo x Resende, pela semifinal do Campeonato Carioca, foram utilizados 4 assistentes, que revezavam as posições com os outros dois, ou seja, no primeiro tempo, a dupla A permanecia na posição tradicional e a dupla B atrás dos gols e no segundo tempo, o contrário. A medida não teve nenhum destaque, já que o máximo que os assistentes atrás do gol fizeram foi assistir ao jogo. Ainda é cedo para se dizer se essa utilização é vantajosa ou não; com a liberação, essas utilizações serão mais frequentes e assim determinarão se vale a pena ou não. É esperar para ver.

Para terminar, a IFAB mudou também a regra do impedimento: se um jogador deixar as quatro linhas sem autorização do árbitro, será que considerado que ele está posicionado na sua linha de fundo ou na linha de seu gol, dando condição a qualquer jogador do time adversário. Outra aprovação foi a questão da permanência do árbitro na área técnica, sendo que agora ele pode permanecer ali o tempo que quiser, o que facilita a vida do árbitro, que não precisa mais ficar prestando atenção no tempo em que o técnico fica na área técnica; vamos só torcer para que isso não faça com que os técnicos abusem e fiquem o tempo todo ali para atrapalhar o trabalho do trio. A IFAB ainda vetou o aumento do tempo de intervalo e deixou para a FIFA decidir se o número de substituições será aumentado.
As regras não podem sempre permanecerem as mesmas; por isso, há responsáveis para que elas sejam adequadas ao longo dos anos, fato que é feito desde 1886, quando foi inaugurada a IFAB. Esses responsáveis nem sempre fazem as melhores escolhas, mas dessa vez fizeram, principalmente na questão do cartão laranja, que é bastante desnecessário, porém acredito que a batalha contra ele ainda não tenha sido vencida e que ele poderá aparecer nas discussões da IFAB novamente. Enfim, eles só querem, assim como nós, que o espetáculo chamado jogo de futebol esteja cada vez melhor.

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