Saindo um pouco do assunto de arbitragem, vamos falar da Copa no Brasil.
O anúncio dos 12 estádios que cediarão a tão sonhada Copa do Mundo de 2014 no Brasil está cada vez mais próximo. A comitiva da FIFA já começou sua longa caminhada pelo país, passando por São Paulo no último dia 30, analisando detalhes como rede de hotelaria, aeroportos, transporte, segurança, acesso ao estádio, entre outros. Na disputa, estão 17 cidades, incluindo cidades essenciais que até já foram pré-selecionadas: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre. Ou seja, restam 7 vagas para 12 cidades, havendo peculiaridades como uma sede no Pantanal e uma sede na Amazônia. Na primeira, disputam Campo Grande-MS e Cuiabá-MT. Já na segunda, concorrem 3 cidades, sendo Manaus-AM, Belém-PA e Rio Branco-AC.
Além de São Paulo, a comitiva já visitou Porto Alegre e Florianópolis no dia 31; Curitiba e Rio de Janeiro no dia 1º; Belo Horizonte e Brasília no dia 2; e hoje passaram por Goiânia e Campo Grande. O cronograma é seguido por Cuiabá e Rio Branco no dia 4; Manaus e Belém no dia 5; Salvador, Recife e Natal no dia 6; e, por fim, Fortaleza no dia 7. Depois das visitas, os executivos examinarão os dados coletados e, nos dias 19 e 20 de março, anunciarão, em Zurique, as 12 sedes escolhidas. Também existia na lista a cidade de Maceió, que acabou abandonando a disputa por ter que investir altas quantidades de capital para seguir as recomendações da FIFA caso fosse escolhida, algo inalcançável para umas das cidades mais precárias do Nordeste.
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, afirmou hoje, na visita dos executivos ao Serra Dourada, em Goiânia, que a situação dos estádios brasileiros é difícil, e que nenhum deles tem condições de abrigar a Copa no jeito que estão atualmente. Porém, isso não é lá muito assustador, pois a situação era a mesma na Alemanha: quando a copa foi anunciada, nenhum estádio se encontrava dentro dos rígidos parâmetros da FIFA. Isto é, por enquanto o Brasil ainda pode se justificar. Por enquanto. Teixeira ainda afirmou que não é à toa que a entidade máxima do futebol anuncia o país-sede muitos anos antes do acontecimento da competição, já que o Brasil tem 6 anos para adequar seus campos.
É Teixeira, pode até haver bastante tempo, mas e o jeitinho brasileiro de deixar tudo para a última hora? Você diz que "ainda há 6 anos", mas, no caso do Brasil, isso é pouco tempo, porque parece que as autoridades querem fazer algo bonito mas acham que isso se faz do dia para a noite. Um ótimo exemplo disso é o Pan Americano no Rio de Janeiro. Alguns podem até falar "Ah, mas Pan Americano é diferente de Copa do Mundo de Futebol". Sim, é diferente, mas diferente para o pior, pois o Pan é feito em apenas uma cidade, uma estrutura bem menor e ainda assim, os brasileiros conseguiram fazer uma tremenda lambança, talvez a pior delas sendo a destruição do campo de disputa de beisebol por uma ventania, fruto de uma péssima estrutura do local. Agora, uma Copa do Mundo de Futebol é algo bem mais grandioso, que requer muito mais atenção. Contudo, já que o brasileiro é vidrado em futebol, pode até ser que para isso eles façam algo direito, uma vez que valorizam mais um campeonato de futebol do que um evento poliesportivo das Américas.
Além disso, não são apenas os estádios que fazem parte do problema: outro assunto que se fala muito é a precariedade do setor aéreo brasileiro, tanto em eficiência, rotas e preços quanto infra-estrutura aeroportuária. Esses talvez sejam os dois problemas mais graves dessa candidatura do Brasil: estádios e aeroportos. E se o governo ainda não mudou praticamente nada quanto ao setor aéreo desde os acidentes da Gol e da TAM, será que agora a ficha ou outro avião vai cair? Veremos.

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