Nos últimos dias, acompanhamos várias discussões sobre a questão "arbitragem". A verdade é que, quando um time não vai bem em alguma partida, os jogadores e até mesmo técnicos e diretores procuram algum motivo para culpar o árbitro e seus assistentes. Ora, não quero dizer que é sempre erro dos times e nunca erro dos árbitros, mas digo que tornou-se costume colocar todo o peso da partida nas costas do árbitro, fazendo com que esse não seja apenas um "aplicador da regra", mas também um apaziguador da culpa dos times.
Me refiro principalmente às últimas rodadas do Paulistão. A primeira discussão que chama a atenção é a do gol anulado do Botafogo-RP no jogo contra o São Paulo, em Ribeirão Preto. A partida estava empatada em 1x1 quando, em um lance ofensivo do Fogão, Thiago Silvy marcou. Porém, o bandeira Rafael Ferreira da Silva assinalou impedimento do atacante, que não existiu. Depois de analisar várias vezes o lance, percebi que realmente foi um erro grosseiro do bandeira, que provavelmente não estava concentrado e focado suficientemente no momento do lance, que não era de nenhuma dificuldade, já que Silvy estava em quase 1 metro e meio de posição legal. Sim, foi um erro e as medidas nescessárias serão tomadas, pois acredito na competência da FPF. Agora, o que me assusta é o fato de o diretor do Corinthians, Mário Gobbi Filho, dar uma declaração à imprensa dizendo que tal gol mal anulado foi uma espécie de ato para reaproximar o São Paulo da Federação, uma vez que o Tricolor, semanas atrás, anunciou que havia "quebrado" com a FPF, história que vem ocorrendo desde a polêmica envolvendo o juiz da partida Goiás x São Paulo, pela última rodada do Brasileirão de 2008. Eu respondo essa declaração do diretor corinthiano com outra notícia: ele foi denunciado pelo TJD e pode pegar até 180 dias de suspensão por ter xingado, te maneira pesada, o árbitro Flávio Rodrigues Guerra, quando decidiu reiniciar a partida Corinthians x Portuguesa, após chuva pesada. Quem quiser confiar nas declarações de um homem que diz "vai tomar no ..." e "seu filho da ..." a um árbitro, está muito mal de argumento. Outro que se envolveu nessa foi Mano Menezes, outro intrometido. Além de tudo, Gobbi criticou a escolha do árbitro Cléber Abade para o jogo contra o Mogi Mirim, alegando que foi uma escolha estranha, já que o time se desentendeu (erradamente) com Abade em uma partida da Copa do Brasil do ano passado. E agora, Senhor Mário? O árbitro fez uma bela atuação, longe de qualquer suspeita que o Senhor tinha. Agora você fica calado, não é?
Outra confusão teve palco no Palestra Itália. Palmeiras e Santos realizaram o primeiro grande clássico do estadual, com vitória alviverde por 4x1. Vitória totalmente justa e correta. Aliás, o trio que realizou o jogo, comandado por Luiz Flávio de Oliveira, está sendo o melhor do campeonato, na minha opinião. Deixam o jogo correr, aplicam as punições nescessárias, não se envolveram em erros grosseiros, enfim, tudo que colabora para um ótimo espetáculo. Se continuarem assim, certamente serão um dos favoritos para o prêmio, assimo como José Henrique de Carvalho e Wilson Seneme. Bom, os "erros" dessa partida não foram criados pela arbitragem, mas sim inventados, ao contrário do jogo Botafogo x São Paulo. Jogadores do Peixe, principalmente o sempre reclamão Kléber Pereira, afirmaram que o primeiro gol do time da casa foi irregular por falta no goleiro Fábio Costa e o pênalti que deu origem ao segundo gol, também envolvendo Fábio Costa, não ocorreu. Simplesmente não tem o que se falar. O Santos jogou tão mal que quis desviar a atenção para "possíveis" erros do trio. O primeiro gol foi legal, sendo que a queda do Fábio Costa foi um acidente de trabalho, e o pênalti ocorreu, já que o goleiro foi, literalmente, para matar o atacante palmeirense, não visando a bola em nenhum momento; Keirrisson pulou para evitar algo pior. Ainda houve uma pequena discussão sobre o terceiro gol palmeirense, que poderia estar impedido; contudo, o lance era dificílimo e quase impossível de ser detectado pelo olho humano, sendo que o assistente agiu corretamente e deixou correr a jogada. Enfim, Santos durmiu, Palmeiras fez sua parte, assim como o juiz e seus bandeiras; nada a reclamar.
Termino esse post de hoje com uma referência ao clássico mundial Brasil x Itália. Costuma-se exaltar os árbitros europeus, dizendo-se que são os melhores, os mais bem treinados e tudo mais. Contudo, isso não é verdade, já que, assim como todos os árbitros, eles estão sujeitos a erros, um deles que alterou o resultado do clássico. A Itália abriu o placar com Grosso, isso se o assistente Philip Sharp não tivesse assinalado impedimento, que não existiu. Mas, o lance era dificílimo, pouco mais de meio metro de posição legal, além de ser uma jogada rápida e um lançamento longo. Então, o Brasil fez 2x0. A Itália reagiu, marcando outro gol, isso se Luca Toni não tivesse dominado a bola com a mão, fato visto pelo assistente Peter Kirbkup, que corrigiu o árbitro Howard Webb, que já assinalava gol legal, mas voltou atrás. O jogo teria terminado 2x1 para o Brasil, mas um erro aceitável ocorreu por parte do assistente, mas seria, de qualquer jeito, vitória brasileira. Enfim, erros acontecem, ora modificam resultados, ora não; ora realmente existem, ora são inventados. Talvez isso nunca mude.

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